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PERIGO À FRENTE! 

 Por Fernando Calmon

  Uma das causas insidiosas de acidentes é a perda de controle do carro por mudança súbita de aderência do asfalto. Isso acontece em razão de fatores da natureza como chuva, garoa, gelo ou neve. O fenômeno de aquaplaning é um exemplo: o filme de água se forma entre a estrada e os pneus, e estes não conseguem manter o atrito com o solo. Se atingir os quatro pneus, o veículo se transforma num trenó sem controle.

Com as chuvas de verão, a atenção deve ser redobrada. Nos países com invernos rigorosos esse problema se superpõe a outro ainda mais traiçoeiro. Uma fina camada de gelo, praticamente invisível, pode se formar na estrada em dias muito frios, mesmo sem presença de neve. Quando o automóvel passa sobre essa superfície, até em velocidades baixas, não há mais o que fazer, além de rezar. A fim de enfrentar essas armadilhas do tempo a alemã Continental e outros parceiros europeus se uniram num programa de pesquisas avançada sobre atrito pneus-solo.

O objetivo é fornecer ao motorista um sistema confiável de alerta prévio sobre as condições de baixa aderência. O segredo está na fusão e processamento de informações de diferentes sensores de comportamento dinâmico, tanto os novos como os já existentes nos carros modernos. Um destes novos sensores inteligentes está integrado aos pneus e mede a deformação da banda de rodagem. Por meio dele é possível informar ao gerenciamento eletrônico central o estágio inicial de aquaplaning. Outro é o sensor ótico capaz de avaliar a quantidade de luz refletida no pavimento, diferente em pista seca, úmida, molhada ou com camada de gelo.

O alcance se situa entre 0,4 m e 1,5 m à frente das rodas dianteiras. Uma câmara de polarização detecta as diferenças na vertical e na horizontal causadas pelas condições da superfície de rodagem de 5 m a 20 m à frente do veículo. Um escâner a laser, por sua vez, checa pingos de chuva ou flocos de neve numa faixa de 50 m a 100 m adiante. Mais duas informações são obtidas por termômetros: temperatura do meio ambiente e da superfície de rodagem. Os sensores do ABS (freios antibloqueio) e ESC (controle de trajetória) também ajudam pela sensibilidade de estimar diferença de atrito entre as rodas e a estrada. Computando todos esses dados, pode-se contrapor a leitura dos termômetros com as indicações dos sensores ambientais. Em décimos de segundo o sistema vai indicar que há uma ameaça potencial à perda de atrito dos pneus, dando possibilidade de reação ao motorista, que deve aliviar o acelerador ou frear em tempo de se safar de uma grave e repentina derrapagem.

Entrar na zona de superfície escorregadia com velocidade menor também ajuda os sistemas atuais de evitar ou mitigar colisões a atuar de forma mais eficiente sob condições ambientais adversas. O modo de informar ao motorista sob esses riscos ainda está sendo estudado, mas é a parte mais fácil das pesquisas. Hoje há vários tipos de indicadores visuais disponíveis no quadro de instrumentos, além de alarmes acústicos, voz sintetizada de advertência e até alertas vibratórios no volante ou no banco. Projeção de ícones ou frases no para-brisa também é uma tecnologia dominada e tem a vantagem de manter o motorista sem desviar os olhos da estrada.












NAVEGAR É PRECISO

Por Fernando Calmon

Há poucos meses os motoristas brasileiros passaram a ser tratados como os do exterior. O Contran revogou uma resolução da gestão anterior que proibia o uso de navegadores que exibissem mapas digitais. Só era possível consultá-los com o veículo parado, retirando grande parte de sua funcionalidade. Os navegadores portáteis que utilizam GPS (Sistema de Posicionamento Global, em inglês) contam com uma rede de 24 satélites geoestacionários para localizar qualquer veículo, inclusive velocidade e direção de seu deslocamento.

Esses aparelhos portáteis explodiram em vendas por todo o mundo por serem mais baratos que os instalados pelas fábricas. Apresentam a vantagem de acompanhar o motorista, quando ele muda de carro ou anda a pé. Só na França foram vendidas três milhões de unidades no primeiro trimestre deste ano, o dobro do mesmo período de 2006.

Navegadores representam fator de segurança e maior fluidez no trânsito. Quantos não cometem pequenas barbeiragens ao procurar um número ou mesmo o nome de uma rua, especialmente à noite? Se você está preso num congestionamento e não tem familiaridade com a região, pensa duas vezes antes de se aventurar por caminhos desconhecidos. Qualquer um desses pequenos aparelhos recalcula automaticamente rotas alternativas e chega ao destino com maior ou menor rapidez, conforme a programação escolhida.

Atualmente mais de 10 fabricantes oferecem esse acessório no Brasil. Agora, que já pode ser fixado no painel ou nos vidros, a previsão é de vender mais de 200.000 unidades este ano. O preço ainda é salgado porque os componentes são importados, os impostos, pesados, além de muitas funções e só dois fornecedores de mapas digitais. Custam na faixa de R$ 1.800,00, mas o aumento das vendas tende a torná-los mais acessíveis. A navegação ainda sofre de imperfeições por falta de atualização ou mesmo de levantamento errado dos percursos, porém também deve melhorar com o passar do tempo e a concorrência.

Como os riscos de se perder são muito baixos, roda-se menos e se economiza combustível, ajudando a amortizar seu custo. Disponibiliza vários pontos de interesse como postos de combustíveis, hospitais, restaurantes. Alguns informam os limites de velocidade, localização dos radares e, em breve, quebra-molas e curvas perigosas.

No exterior, a segunda geração de navegadores já ampliou a tela de 3,5 para 4,3 pol (diagonal) e a resolução maior permite leitura dos mapas de grande qualidade. Os preços continuam a cair. Na Europa se conseguem aparelhos por menos de R$ 600,00 com mapas precisos de ruas e estradas de até 30 países. Navegadores de bordo fixos no console de túnel, mais caros, dispõem de telas de 7 pol.

No Japão existem outros recursos. A Honda acaba de anunciar que o novo Fit, no final do ano, terá um sistema de navegação que avisará sobre chuvas fortes e até terremotos. O sistema coleta ainda informações de usuários com o mesmo equipamento e pode avisar que faixas de uma auto-estrada estão congestionadas. As atualizações serão baixadas via internet em tempo 20% menor.

No Brasil, a Airis acaba de lançar a segunda geração de seu software de navegação. “Firmamos uma parceria global para desenvolver uma interface com muito mais recursos do que a solução atual. Esta nova versão representa uma evolução, proporcionando uma experiência inovadora na forma de navegar”, segundo Ricardo Kamel, vice-presidente da empresa para América Latina. O Brasil será o primeiro a receber o novo software, que só chegará à Europa e Ásia no primeiro semestre de 2008.

Para fabricantes de veículos ou concessionárias, com a grande oferta de modelos de mais de uma dezena de fornecedores, navegadores portáteis são uma boa alternativa como brinde em comparação a seguro, IPVA, combustível e outros pacotes de equipamentos incentivados. Até uma companhia aérea oferece o equipamento, promocionalmente, para quem viajar pela classe executiva.

O novo Chevrolet Vectra GT tem como um de seus atrativos a oferta de navegador de série. Mas, em vez de optar pelo mais sofisticado (e caro) com monitor no painel, a fábrica incluiu o produto portátil. Ajuda por poder ser levado a qualquer lugar. Este navegador, da Visteon, possui até quatro horas de autonomia da bateria (a maior do mercado, segundo o fabricante). Porém, depois de esgotada, para que continue a operar, exige o incômodo cabo de força preso à tomada do acendedor de cigarro.


De toda forma, o navegador portátil aponta uma tendência que deve proliferar também no Brasil.

 










 





 
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